CAPÍTULO
4
Hypollitus
Existe um tipo de pesadelo que não tem fim, é aquele
que começa quando a gente acorda e percebe que aquilo que aconteceu foi real,
não foi sonho... Esse é o pior dos pesadelos, porque não se pode acordar dele!
Meu Deus! Tudo aconteceu de verdade, não foi sonho! A minha festa, meus amigos
“normais” se despedindo mais cedo, a declaração oficial de que sou, ou melhor,
que somos todos bruxos... Aquela intrigante profecia que eu não sei de que se
trata... Tudo foi real!
Eu não queria me levantar da cama, mas a luz vermelha
do relógio digital no criado mostrava que já era nove horas da manhã e meus
pais já deviam ter se levantado.
Eu estava vivendo um grande paradoxo, pois, ao mesmo
tempo em que queria saber mais sobre minha vida (que, agora eu descobria, eu
não sabia nada), eu não queria enfrentar a realidade! Eu queria continuar lá, no aconchego do meu
quarto, na minha cama, com meu velho pijama...
Sem escolha, eu coloquei um leve vestido florido que
lembrava a primavera, talvez para expulsar o outono que havia tomado conta da
minha vida, prenunciando um inverno muito negro. Passei um batom combinando,
deixei os cabelos soltos e saí do quarto. Normalmente eu não me maquiava desse
jeito num domingo de manhã, mas, eu precisava desesperadamente de alguma coisa
para me animar.
