CAPÍTULO
3
Eu sabia que aquela não era uma simples festa
Enfim o dia da festa chegou. A minha falta de animação
inicial havia se convertido em total ansiedade, afinal, foi por causa da
insistência de minha mãe em comemorar meu aniversário em alto estilo que eu
estava namorando o garoto mais cobiçado da escola _ apesar de não ter mais
muita certeza de que queria continuar com ele _ e isso havia melhorado meu relacionamento
com todos por lá. Também por causa da festa eu não usava mais meus horríveis
óculos de tartaruga e estava mais popular do que nunca na escola _embora essa
última parte ainda me deixasse meio confusa porque minha timidez continuava.
Eu me levantei ainda sonolenta, vesti um short branco
e uma camiseta de malha azul clara e amarrei uma fita branca nos cabelos.
Passei um batom levemente rosado e desci para a cozinha. Não havia ninguém em
casa, pelo menos eu não estava vendo.
_ Carol! _ minha mãe chamou do jardim. _ Venha ver
como a decoração ficou bonita.
Eu saí da cozinha e parei, surpresa com o que via. O
jardim havia sido totalmente transformado para a festa, havia uma enorme tenda
branca onde seria realizado o baile e, no centro, um palco para a apresentação
do Poeira (sim, era verdade, eles iriam se apresentar na minha festa),
luminárias japonesas enfeitavam a entrada da casa, formando uma alameda
iluminada e havia grandes arranjos cada um com cinco dúzias de rosas vermelhas
espalhados por todo o jardim; a um canto havia uma admirável mesa coberta com
uma toalha de damasco branco com um pedestal de três andares que serviria para
colocar o bolo que estava para chegar. Estava tudo tão bonito, nem parecia a
minha casa!
O mais interessante nisso tudo foi que quando fui me
deitar, na sexta-feira à noite, não havia nenhuma movimentação para a
transformação do jardim e no sábado quando me levantei estava tudo quase
pronto, com exceção de um ou dois detalhes que o pessoal do Buffet ainda estava
confeccionando. Como será que isso aconteceu?
No decorrer do dia, entre a movimentação de ir ao
salão de beleza, à manicure, escolher as joias que iria usar naquela noite e me
arrumar para receber os convidados, esse detalhe acabou passando despercebido,
mas, eu precisava me lembrar de perguntar à minha mãe quem era esse pessoal que
arrumava tudo tão rápido e sem incomodar a ninguém.
Mais tarde, no salão, Jacó conseguiu fazer um
verdadeiro milagre em mim. Puxou a parte da frente dos meus cabelos para cima,
deixando cair alguns fios sobre a minha testa e fez enormes cachos escorregarem
por sobre meus ombros. Para finalizar, ele borrifou um “spray” com brilho que
fazia os fios cintilarem a cada movimento da minha cabeça. Enfim, eu tinha o
cabelo dos meus sonhos e usava um vestido verde musgo que combinou muito bem
com os meus olhos, drapeado no corpete e com uma ampla saia bem vaporosa.
