Jornal do Brasil
Raphael Montes
Semana passada, fui abordado em uma livraria do centro do Rio por uma moça que queria ajuda na escolha de um livro de suspense ou de aventura. Entre os lançamentos, recomendei A noite maldita (ed. Novo Século),do André Vianco, e Fios de prata (selo Fantasy), do Raphael Draccon. A moça estava bastante entusiasmada com as indicações até ler a biografia dos autores. Sua expressão mudou subitamente e ela largou os livros com um vigoroso “ai, autor brasileiro não, né?”. Perguntei qual era o problema e ela se defendeu, dizendo que o livro não era para ela e que “dar de presente livro nacional pega mal, né?”. Sem muita paciência, me afastei, mas fiquei observando quando ela pescou um Harlan Coben na prateleira e enfiou-se na fila para pagar.
Dois dias depois, participei de uma mesa de debates com autores de literatura nacional no monumento Estácio de Sá. O evento estava cheio e o entusiasmo dos leitores em ter contato direto com autores era evidente. Diante de episódios tão díspares, foi inevitável a pergunta: por que brasileiro não lê brasileiros? Especifico: por que brasileiro não lê brasileiros contemporâneos?
Quero falar daquelas obras de gênero (policial, fantasia,chicklit, terror) que disputam com os bestsellers e, vez ou outra, conseguem seu espaço no mercado editorial. André Vianco, por exemplo, chegou na marca de um milhão de exemplares com suas histórias de vampiro – tema bastante explorado em obras estrangeiras também.Há romances nacionais para os mais variados gostos, sempre trazendo características e paisagens tipicamente brasileiras, o que torna a identificação com a história muito mais eficaz. Por que, então, os livros estrangeiros ainda têm preferência?
